PRONÚNCIA e SOTAQUE são duas coisas completamente diferentes e eu resolvi falar sobre esse assunto porque é a parte mais deficiente dos professores de inglês brasileiros. Trabalhei por cinco anos no mundo dos cursos tradicionais de inglês e testemunhei de camarote como a pronúncia correta é totalmente negligenciada nas aulas.

A situação não é muito diferente com os professores autônomos também. Apesar dos professores terem boa pronúncia, eles não se preocupam muito em facilitar a vida de seus alunos nessa área ou, quando o fazem, é de forma ineficaz e/ou insuficiente.

A coisa mais importante em QUALQUER LÍNGUA é ter um bom VOCABULÁRIO e uma boa FLUÊNCIA. A segunda coisa mais importante é exatamente a PRONÚNCIA.

Por quê?  Há dois motivos para isso:

  • Pelo próprio bem da interação verbal. Por exemplo, um paulista e um carioca tem SOTAQUES diferentes quando pronunciam a palavra ‘FORÇA’ dentro da oração “Levem-no à força!”. Não há erro algum nessa diferença. Entretanto, se um deles erra a PRONÚNCIA da letra ‘ç’ e diz “Levem-no à FORCA!”, um erro tremendo está sendo cometido agora.
  • A pronúncia correta é a melhor ferramenta que você pode usar para obter uma melhor FLUÊNCIA. Observar e compreender os fonemas (sons) das letras fora e dentro das palavras é fundamental. A FONÉTICA é uma área de estudos da língua que serve para facilitar a sua FLUÊNCIA, a sua PROFICIÊNCIA.

No YouTube, já assisti vídeos de um professor de inglês famoso na plataforma onde ele diz claramente que “A PRONÚNCIA NÃO É ALGO IMPORTANTE… PRONUNCIE DE QUALQUER JEITO MESMO… TÁ VALENDO”. Não é que ele se expressou mal. Foi exatamente aquilo que ele quis dizer. O vídeo inteiro é dedicado à racionalização da negligência consciente da pronúncia ao falar inglês.

Ele chegou ao cúmulo de, logo em seguida, fazer um vídeo reclamando e ridicularizando os comentários negativos que ele recebeu em seu vídeo sobre a não-importância da pronúncia, ou seja, além da falta de sensibilidade para com a prática do inglês, também ficou muito nítida a total falta de humildade e senso crítico por parte do professor.

Recentemente, ele chegou a se retratar, dizendo que mudou de opinião quanto à importância da pronúncia, mas os vídeos em questão ainda estão disponíveis no canal dele e tem centenas de milhares de visualizações; um tremendo desfavor para com os que o acompanham e confiam no trabalho dele.

Gosto de chamar a sua atenção para a analogia abaixo:

CÉREBRO = MÚSCULO
APRENDER INGLÊS = MUSCULAÇÃO

Não só no que concerne a parte de LISTENING (“OUVIR” – treinamento passivo), mas também na parte de SPEAKING (“FALAR” – treinamento ativo), a ideia acima se aplica perfeitamente. Seja na academia ou com o inglês, os primeiros dias de treinamento, serão mesmo desafiadores, talvez até estranhos, mas com a repetição do evento, tudo vai se normalizando, da mesma maneira como acontece com TUDO novo que experimentamos. Mas vamos agora à parte PRÁTICA de toda essa teoria, shall we?

Ao treinar com áudio textos ou com qualquer tipo de vídeo, eu instruo meus alunos a sempre repetir em voz alta tudo que eles ouvem. Não só isso, mas também tentar imitar a entonação e o tempo de quem está falando no áudio ou no vídeo. Se no vídeo tem um bêbado falando, imite a voz de bêbado dele; se for alguém exaltado ou nervoso, imite a exaltação e o nervosismo da pessoa. FAÇA ISSO SEMPRE… e REPITA!

Como isso pode te ajudar?                                           

É simples. Existe uma relação muito forte entre:

‘PRONÚNCIA’ e ‘MEMÓRIA MUSCULAR’

Se você – no início – se força a arremedar tudo que ouve nos áudios e nos vídeos, você vai notar que no começo parece difícil, mas com a REPETIÇÃO da prática, vai ficando cada vez mais fácil, igualzinho quando você vai na academia malhar pela primeira vez ou vai à sua primeira aula de natação ou de tênis. No primeiro dia de academia, parece bastante desafiador, mas com a continuação da prática, você vai aumentando o peso dos exercícios, aumentando o tempo dentro d’água, e melhorando o tempo das suas raquetadas… o “desafio” do primeiro dia começa a parecer até ridículo pra você agora. No caso da prática da FALA, a repetição capacita os seus músculos faciais e aqueles diretamente ligados ao seu aparelho fonador a se acostumarem aos movimentos e configurações de cada som e também a repeti-los de forma AUTOMÁTICA.

Bem, desta vez é só. Deixe nos comentários abaixo a sua opinião sobre esse artigo, sobre qualquer dúvida que você tenha relacionada a este assunto, e também deixe uma sugestão de algum assunto que você gostaria que eu abordasse aqui no nosso blog. I’ll see ya next time.

Abração,
Lee